sábado, 29 de setembro de 2012

Freud & Nietzsche


No 2º ano da universidade eu, o meu namorado e mais três amigos nossos (dois rapazes e uma rapariga) decidimos morar juntos. Como se 5 pessoas não fossem já o suficiente para sobre-lotar o nosso T2, decidimos adoptar dois gatinhos abandonados que encontramos num terreno baldio perto da nossa escola, o Freud e a Nietzsche
Freud, porque quando o gato entrou no nosso apartamento pela primeira vez, saltou para cima do sofá da entrada, aninhou-se entre as almofadas e as minhas sebentas e urinou no meu caderno de Psicologia da Criança.
Nietzsche, porque já que o gato teria de carregar um nome de peso para o resto das suas 7 vidas, a gata não poderia ficar atrás... Como o meu namorado andava a ler o livro "Quando Nietzsche Chorou"... Nietzche ficou a gata, que até hoje ainda não nos deve ter perdoado o facto de lhe termos escolhido um nome masculino.
Quando contamos aos nossos pais que tínhamos adoptado dois gatinhos bebés órfãos, a reacção foi geral: "Achais que ides conseguir tomar conta de dois gatos se nem de vocês próprios sabeis cuidar?". Os nossos pais tinham-nos em tão boa conta...
É verdade, no início foi muito difícil, sujavam-nos a casa toda, saltavam para cima dos móveis, arranhavam os sofás, passavam a noite a miar... Tiravam-nos do sério. 
Acho que foi nesta altura que todos nós juramos que nunca na vida haveríamos de querer ter filhos, porque se dois gatos davam este trabalho todo, uma criança...
Mas no final das primeiras semanas já todos nós tínhamos desenvolvido um carinho muito especial pelos nosso pequerruchos. 
Com tudo o que viveram e viram naquela casa não seria de esperar que tivéssemos criado dois gatos com comportamentos normais.
Na hora de virmos embora decidimos que o meu namorado ficaria com o Freud e a Nietzsche ficaria à minha guarda. 
A Nietzsche ainda hoje vive comigo, tornou-se uma gata bastante preguiçosa, não faz nada da vida, a não ser comer e dormir. 
O Freud foi atropelado há dois meses atrás e não resistiu aos ferimentos, todos nós ficamos tristes e sofremos com a sua perda, foi como se um companheiro de aventuras tivesse partido, afinal partilhamos com ele muitos dos bons e maus momentos da nossa vida académica e do nosso crescimento.


16 comentários:

  1. História meio triste...
    Eu não sou fã de gatos, talvez por desconhecimento, mas os animais acabam sempre por fazer parte da família.
    Tive uma porquinha da Índia que viveu 5 anos. Quando vínhamos da rua, chiava e pendurava-se do tabuleiro à espera de uma festa ou de uma guloseima.
    Ainda não consigo ver as fotos sem me comover...
    Agora tenho uma rafeira apanhada na rua aos 4 meses. Inteligente e manipuladora, que só visto. Nem quero imaginar o dia em que ela "partir"... já tem 13 anos.

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    1. Eu também não era grande fã de gatos, preferia cães, mas não consegui resistir a estes dois! :D
      Eu também criei uma grande ligação com os dois gatos e quando o Freud morreu fiquei muito triste e confesso que chorei, principalmente porque vi o meu namorado bastante em baixo! :/
      Dizem que os rafeiros são os cães mais inteligentes e perspicazes. :)

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    2. São, pelo menos, mais resistentes. Há muito criador se escrúpulos a fazer cruzamentos consanguíneos e é sabido que isso pode trazer problemas graves aos animais... primo com prima, sai criança "anarfabéta, pá". :)

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    3. Sim isso é verdade, mas nenhum animal deveria ter de passar pelo abandono. São cruzamentos de raças, lutas de cães, experiências e todo um sem número de atrocidades cometidas com animais! :/

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  2. Oh, coitadinho |: Até eu fiquei triste... Pelo menos a Ni está bem (:

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    1. Gostei tanto da abreviatura, Ni é muito fofinho! :D Ela está óptima, uma gata muito safada! ;)

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  3. Lamento, sei bem a dor que é em perder um amiguinho de quatro patas. Ao menos ele foi feliz enquanto esteve com vocês, se não o tivessem tirado da rua ele não teria tido tantos mimos e conforto.

    Bjokas

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    1. Sim, penso que enquanto esteve connosco foi muito feliz... Mas custa sempre, era um companheiro de muitas aventuras.

      Beijinho ♥

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  4. Que história bonita :) Infelizmente aquele amiguinho já não está cá...mas decerteza que foram muito felizes o tempo que estiveram convosco...é triste pensar em tantos animais abandonados e mal tratados :s Tenho andado doente com a bruxa velha da minha vizinha...o meu pai diz que a viu a matar brutalmente uns gatos pequenos...2 conseguiram fugir para o meu quintal e espero que se mantenham por aqui para poder cuidar deles...mas não consigo deixar de pensar nos outros :(

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    1. Infelizmente há muita gente que não olha para os animais de forma carinhosa e afectiva, não os respeitam como deveriam respeitar. :/

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  5. Adorei a vossa atitude, melhoram a vida dos dois gatinhos de certeza absoluta.
    Fiquei triste pelo Freud :(

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    1. Também nós, era um companheiro de aventura! :/

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  6. Coitadinho :x acho importante termos animais à nossa responsabilidade, nem que seja, para sermos mais responsáveis! Tiraste Psicologia?

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    1. Eu adoro animais, se pudesse tinha mais dois ou três cá por casa... E sim, ajudam-nos imenso a desenvolver várias competências...
      Não, segui o ramo educacional, mas tinha muitas cadeiras em conjunto com o curso de Psicologia, como Psicologia da criança, Psicologia do adolescente, História e Evolução da Psicologia... É uma área que me agrada bastante.

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Never look back, if Cinderella went back to pick up her shoe, she wouldn't have become a princess ♥