segunda-feira, 8 de julho de 2013

Ainda acerca da história do "ser humano que contribuiu para a minha concepção"...


Depois de ter falado acerca da não participação do meu pai no meu processo de crescimento (aqui) houve algumas pessoas que me disseram que eu era um exemplo a seguir por ter conseguido ultrapassar tudo sem ter guardado remorsos ou rancores, que tinha sido muito corajosa. Agradeço todos os comentários  e mensagens, mas não me considero um exemplo para ninguém, muito longe disso. Não fiz nada de memorável para ser considerada um exemplo, apenas aprendi a viver a minha vida com um sorriso na cara, a não me lamentar por isto ou aquilo que ia acontecendo na minha vida (como acho que toda a gente deveria viver). 
É como eu disse, custa não ter um pai presente, mas adianta alguma coisa passar o tempo todo entre lamurias e lamentos? Vai fazer com que ele se torne mais presente? Não, claro que não. Além disso, eu não fui quem mais perdeu com a ausência dele, ele perdeu muito mais, perdeu as diferentes fases do meu crescimento, perdeu a minha formação enquanto pessoa... E nisso, por mais que ele agora quisesse, já não vai ter contributo.
Quanto ao facto de não guardar rancor ou remorsos. Isso não é totalmente verdade. Guardo mágoa, claro que guardo. Afinal, apesar de ter tido o meu avô sempre presente, acho que qualquer criança deseja ter um pai com quem brincar, com quem se divertir, com quem rir e com quem chorar... Se eu não guardasse rancor ou remorsos tinha permitido que ele entrasse na minha vida quando ele assim o quis, mas não permiti e nunca vou permitir. Não só porque não quero, mas também por sentir receio que ele faça o mesmo de novo.
A ausência do meu pai na minha vida, de certa forma, também contribui para que eu me tornasse o que hoje sou, principalmente no que respeita aos meus maiores defeitos. Sou orgulhosa, não perdoo. Não confio cegamente nas pessoas. Não choro nem mostro as minhas fragilidades publicamente. Sou fria e muito desligada das pessoas, não me prendo a ninguém facilmente. 
O simples facto de futuramente poder vir a construir uma família, faz-me confusão. Não me imagino, nem quero ter filhos, não que não goste de crianças, porque as adoro, mas sim porque não ia suportar que alguém as abandonasse como o meu pai me abandonou a mim. E isto não significa que eu não confie no meu namorado, só não quero arriscar. 

Actualmente vêm-se cada vez mais casais com filhos em processo de divórcio, eu, como filha de pais separados aconselho-vos a nunca deixarem que um filho vosso exerça qualquer espécie de chantagem convosco. Não mantenham um casamento só porque o vosso filho faz birrar e não quer que os pais se separem, vocês têm todo o direito de ser felizes... E estando vocês felizes a criança também o vai ser. Além disso, que direito tem uma criança de comandar a vida dos seus pais?
Não cedam a pressões nem a pequenos caprichos, não lhe façam as vontades todas só "para que ela goste mais de vocês", é errado, isso não é educar. Não lhe ofereçam prendinhas para a tentar comprar nas mais variadas situações, o que agora parece inofensivo daqui a uns anos vai deixar de o ser e a criança (depois jovem e adulto) vai-vos continuar a exigir as coisas mais impensáveis sob a forma de chantagem.
As crianças sofrem quando os pais passam por um processo de divórcio, é natural, mas isso não lhes dá o direito de se tornarem aproveitadoras, de fazerem birra para verem os seus caprichos cumpridos. Posso parecer fria ao dizer isto, mas há crianças que se aproveitam dos pais e das suas fragilidades nestes períodos.
Além disso, na minha opinião, deve ser muito mais difícil para um adulto ver os seus pais divorciarem-se, depois de uma vida inteira em comum, do que para uma criança. Um adulto já tem toda uma vida de memórias assimilada, cresceu a ver os pais juntos e vê-los separar-se ao fim de tantos anos de casamento deve ser avassalador, sentir que viveu de ilusões...

Para terminar, não pensem num psicólogo como solução para todas as fragilidades dos vossos filhos, ele não vai ajudar a curar a dor que eles possivelmente podem estar a sentir por ver os pais separar-se. Vale mais vocês terem uma conversa franca e aberta com eles, onde lhe expliquem da melhor forma o porquê de as coisas estarem prestes a mudar, que largá-lo numa consulta psicológica que de pouco ou nada vai servir. (É só a minha opinião)

E pronto, é só isto... E já é muito. Não vos chateio mais com este assunto.

16 comentários:

  1. com este texto puseste-me a pensar que afinal tenho uma vida tão mas tão boa! Com a família mais que unida, onde os pais já passaram e passam por muito! Onde a vida não tem sido justa nem tem ajudado! Onde todo o dinheiro e mais algum faz falta, muita falta, onde por vezes não há um frigorífico cheio ou um congelador com carne! Mas que sempre houve e vai haver AMOR, UNIÃO e ALEGRIA entre estas 4 paredes!!!
    Obrigada por estas palavras!
    beijinhos***

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    1. Óh Princesa, obrigada eu por todo o carinho e compreensão que tens mostrado para comigo. :)
      É verdade que o dinheiro é importante, que faz falta, mas muito mais importante que o dinheiro e todos os bens materiais é o amor e o apoio que a nossa família e aqueles que nos amam nos transmitem... Não há dinheiro que pague isso.

      Beijinho ♥

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    2. vês...é era isso mesmo que queria transmitir :) nem todos os dias são fáceis lá em casa...e felizmente tenho trabalhinho para ajudar um bocado e para as minhas coisas! Os meus pais tiveram uma vida de cão a trabalhar...não ganham nem para o lucro do trabalho, nunca passaram umas férias (ficam sempre em casa ou saem para a praia que é perto)...

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    3. Eu, no campo financeiro, sempre tive a vida um pouco facilitada, mas tudo isso se deve ao facto de o meu avô e da minha avó terem trabalhado arduamente enquanto emigrantes, sem terem tempo para eles e para aproveitar o dinheiro que iam amealhando. Reconheço o trabalho que eles tiveram e o esforço que fizeram, enquanto emigrantes, para poder proporcionar à minha mãe um futuro e uma vida menos dura que a que eles tiveram, felizmente conseguiram e é por isso que eu tenho tanto orgulho neles.
      Ter esse dinheiro não faz de mim um gastadora descontrolada, muito pelo contrário, o dinheiro não é meu, não fui eu que trabalhei para o ter, por isso não tenho direito nenhum de gastar desgovernadamente o que alguém conseguiu com muito esforço.
      É claro que é fácil falar quando se tem uma condição económica favorável, mas ter uma condição económica favorável não me faz perder os meus princípios nem deixar de dar valor a todos os anos de trabalho que originaram esta boa condição económica.
      Infelizmente, há cada vez mais pessoas a desvalorizar o esforço que os pais fazem para sustentar uma família, para lhe pôr comida na mesa... Os filhos fazem cada vez mais exigências e não se preocupem minimamente se os pais estão em condições de as poder cumprir.
      Claro que o dinheiro faz falta, mas o amor e a união entre a família fazem muito mais.
      Acho que tu pensas da mesma forma que eu, os teus pais e a minha mãe e avô ajudaram-nos a vida toda, agora chegou o momento de nós lhe aliviarmos um pouco a pressão e sermos nós a ajudar, nem que não seja com pequenos mimos. :)

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  2. Sem dúvida que muitas pessoas deviam encarar a vida como tu! Tens defeitos mas as qualidades tampam-nos, és muito forte!

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    1. Obrigada Princesa. :) Quem me dera que assim fosse, na verdade, acho-me uma pessoa com muito mais defeitos que qualidades...

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  3. Olá querida
    Gostei desse ponto de vista, deve de haver um acompanhamento.


    Muitos beijinhos
    MUAH*
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  4. Concordo contigo em tudo. Fazer vontades e levar ao psicólogo não faz bem à criança. Mais tarde, quando crescer a pessoa vê que a única presença do pai/mãe foi através de prendas.

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    1. É pena muitos pais só se aperceberem disso tarde demais. :/

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  5. Um beijinho grande :) Eu felizmente tenho uma família fantástica! Nem sempre está tudo bem, mas quando é preciso estamos lá para tudo o que for preciso.
    E isso, agradeço-o aos meus pais.
    Que sempre nos mostraram que a vida é difícil mas que o amor ajuda a aligeirar as coisas ;)

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    1. Obrigada Princesa. :)
      É bem verdade, quem tem um bom suporte familiar tem tudo. :)

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  6. Eu concordo plenamente contigo quando dizes que alguns filhos se aproveitam dos pais nesse momento frágil da vida deles. Tenho a certeza que é uma situação complicada para ambos os lados. No meu caso os meus pais divorciaram-se quando eu tinha 14 anos, já era crescida e já entendia mais ou menos o que se estava a passar, aceitei bem e tentei não me meter nisso mas foi dificil ver uma familia separar-se. Foi mesmo muito dificil, estava habituada a uma coisa e de um momento para o outro tudo terminou. Não precisei de ir a um psicologo porque os meus pais falaram comigo sobre o assunto e explicaram-me tudo o que podiam na altura, de acordo com a minha idade.
    No teu caso, não tinha lido essa primeira publicação mas admiro-te por teres superado isso e seres agora quem és. Eu não te conheço mas tenho uma ideia muito positiva de ti! É normal guardar mágoa, seria estranho se assim não fosse :)

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    1. Na minha opinião é mesmo isso que devemos fazer, não nos meter, tenhamos a idade que tivermos nunca vamos ter o direito de interferir na felicidade dos nossos pais, por mais difícil que seja ver o uma família dividir-se. A divisão não significa que eles deixem de gostar de nós.
      Obrigada Princesa. :)

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Never look back, if Cinderella went back to pick up her shoe, she wouldn't have become a princess ♥